O caminho das pipas – Rolante

O CAMINHO DAS PIPAS - ROLANTE

Rolante ja é uma das capitais do MTB na região sul. Cercada pelas montanhas da serra gaúcha, o município tem muitas estradas e trilhas em altitudes de até 800m, cheias de vegetação nativa, cascatas e rios. Lá, são frequentes os eventos, provas e circuítos envolvendo o ciclismo. Além disso, a região ainda oferece o roteiro turístico do Caminho das Pipas, que sobe a serra, passando pela comunidade da Boa Esperança, onde se situam diversas vinículas e produtores. 

Como já haviamos passado pela região algumas vezes, havia a curiosidade de explorar ela de bike. Por ser um pedal relativamente tranquilo, não fizemos muito planejamento. Reservamos hospedagem em Rolante e nos programamos para fazer o trajeto a partir da manhã seguinte. 

Naquela manhã, logo ao acordar já dava pra sentir o calor que nos esperava. Partimos pro centro da cidade, onde deixamos o carro estacionado na frente da prefeitura de Rolante. Ali mesmo montamos as bikes e iniciamos o pedal. Seguinto pela direção do acesso ao Caminho das Pipas, saímos do asfalto e ingressamos em uma estrada de terra bem plana, ótima de pedalar. Ali, passamos por casarões e sobrados antigos, vários deles restaurados e ainda em utilização. Um deles nos chamou a atenção o suficiente pra nos fazer parar e fotografar. As paredes laranjas deterioradas, e o cenário cercado de verde formavam uma atmosfera bucólica, que nos pareceu muito interessante.

Seguindo pela estrada que costeava o Arroio da Areia, o trecho permaneceu plano por mais alguns quilômetros. Porém, quando cruzamos a última ponte através deste arroio, começou a subida. E alí vimos que claramente haviamos subestimado a dificuldade que nos esperava. O sol forte não ajudava, e o tempo bastante abafado também não. Paramos algumas vezes já bem cansados, e o receio que as nossas 3 garrafas de água não seriam suficientes começou a virar certeza.  

Na segunda metade da subida porém, é que as coisas começaram a ficar mais complicadas. Os nossos pneus lisos não colaboravam com a subida íngreme e com pedras soltas. Sofrendo com a falta de tração, em alguns momentos tivemos que descer da bike e empurrar. Este trecho nos consumiu bons 40 minutos e muitas paradas pra respirar. Tivemos um certo alívio ao ver a placa dando as boas vindas a região da Boa Esperança. Ali, a estrada de chão terminava, mas a subida ainda não.

Chegando no povoado, o ânimo logo mudou. Além do asfalto liso, a estrada voltava a ficar mais plana e até com algumas descidas. Um pouco adiante, passamos pela igreja da região, no centro da localidade. Ao lado dela, havia um salão paroquial onde serviam almoço. Como já passavam das 13hs, decidimos que era hora de fugir um pouco do sol e parar pra comer.

Alimentados, reabastecidos de água e um pouco mais descansados, voltamos a estrada pro trecho que, na teoria, seria a parte mais fácil. Cerca de 2kms adiante, passamos pela Cascata das Três Quedas, e acessamos novamente uma estrada de terra, onde começava a nossa descida. Até ali, tudo nos fazia pensar que seria tranquilo… e foi ai que o tempo começou a virar.

Em pouco mais de 10 minutos, o que era um dia quente de sol se transformou num temporal forte. A velocidade em que o tempo pode mudar em regiões serranas é realmente impressionante. Como já estavamos no meio da descida, não restava opção senão seguir descendo. Em alguns pontos, devido ao barro que se formava, foi ficando dificil manter tração, e o jeito foi descer da bike e seguir a pé por mais alguns quilômetros. Quando finalmente chegamos no fim da descida, ao lado da Cascata das Andorinhas, a chuva começou a parar.

Completamente molhados e com barro até a cabeça, seguimos por uma estrada que costeava o Rio dos Sinos. O cenário pós temporal foi mudando a medida que nos afastavamos dos morros, até o ponto em que o chão voltou a ficar seco, pois alí ainda não havia nem chovido até então. Os últimos 20km até a chegada foram os mais tranquilos. Aproveitamos o trajeto para curtir um pouco mais daquelas paisagens rurais com a luz do fim de tarde. Naquela altura, até o sol já estava de volta. 

Talvez este pedal teria sido mais adequado para se fazer em uma MTB, mas o que podemos dizer é que a região de Rolante é bastante democrática, e oferece opções de trajetos e terrenos para praticamente todo o tipo de bike, especialmente no verão. Ficamos com a sensação que seria bom de ter tido um pouco mais de tempo pra explorar a região, e com a expectativa de retornar no futuro.

A galeria do nosso pedal:

O mapa detalhado do pedal: