O que eu aprendi nos últimos 8 meses construindo bicicletas

Oi Galera! Aqui é o Yago, Assistente de Produção da Spino, e esse texto é pra falar um pouco da minha experiência nesses primeiros meses de oficina SPINO.

Trabalhar na oficina proporciona uma fuga da contemporaneidade. Depois de 8 meses, aprendendo - praticamente do zero - o processo de framebuilding, comecei a perceber as peculiaridades do trabalho artesanal que fazemos. Nossas máquinas não são digitais. Não utilizamos aparelhos eletrônicos. Não existem telas, nem botões. Nossos ajustes são, muitas vezes, no olho e a precisão está, literalmente, em nossas mãos.

Obviamente, isso trouxe dificuldades para alguém que, como ex-designer gráfico, estava acostumado a alinhar e emparelhar objetos com meros 3 ou 4 cliques numa precisão de 1 pixel. Mas também provocou uma mudança na forma com que encaro o mundo, afinal, como eu sempre respondo para quem pergunta "como é trabalhar na oficina?": Não existe ctrl + z. Existe apenas o esforço de quem precisa acertar milímetros e graus sem chance de voltar atrás. É como tocar numa banda ao vivo o tempo todo.

O trabalho na oficina segue em constante melhoria: melhoria de processos, de técnicas, de equipamentos, de habilidades e, consequentemente, de produtos. Os erros e imperfeições do processo se tornam oportunidades de aperfeiçoá-lo, fazendo com que, com o passar do tempo, as ações se tornem cada vez mais fáceis e o resultado cada vez melhor. A oficina trabalha a nossa humanidade. Nos mostra diariamente que a nossa capacidade de resolução de problemas é enorme e que, quanto mais absortos dentro do processo, maior ela é.

Já que as bicicletas tornam as cidades mais humanas, nada mais justo do que uma fabricação também mais humana e menos dependente da grande indústria. Uma produção artesanal e local, feita por pessoas que conhecem as necessidades de quem vai pedalar aquela bicicleta. A minha motivação é ver a alegria de quem esperou semanas para receber a sua bicicleta SPINO. Quando o cliente vem pessoalmente até nossa oficina e recebe em mãos, das mãos de quem fez… é uma experiência incrivelmente satisfatória! O que aumenta o nosso desejo de colocar cada vez mais bicicletas na rua, capazes de entregar essa satisfação mútua entre quem produz e quem pedala.

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